Safaristas



ENCONTROS

 

UMA PEQUENA GRANDE HISTÓRIA

SOBRE OS ENCONTROS SAFARISTAS

 

Seguidamente enfrentamos a pergunta; Como começaram os encontros? Como nasceu a ideia?

Surpreendentemente ninguém começou nada com propósitos da continuidade. Simplesmente aconteceu. Lá por 1999 eram três casais que possuíam Safaris. Dois já eram parceiros de estrada e o terceiro encontramos por um destes “incidentes do acaso” parado em outro evento. Todos eram do Rio Grande do Sul. Papo vem, papo vai, nasceu a ideia de juntarmos estes três com tantos outros que porventura tivessem Safaris e que alguém soubesse nos informar quem eram. Foi uma longa busca e aos poucos fomos localizando outras Safaris e algumas até bem próximas. Aos que localizamos informamos que tal dia faríamos um encontro no município de Osório e que por sua vez procurassem outros proprietários de tal veículo e os convidassem. Foi um legítimo “tiro no escuro”.

Pois, incrivelmente em 2001, na data aprazada, apareceram nove Karmann Mobil Safaris em Osório e alguns nem eram conhecidos. Foram se chegando atraídos pelo inusitado convite sendo uma enorme surpresa para todos. Foram quatro dias inesquecíveis às margens da lagoa do Palmital. Nasceu dali fraterna amizade e o intuito de que esta reunião de amigos continuasse em anos seguintes sempre buscando novos safaristas.

Para registro daquele evento um dos participantes, hábil em trabalhos manuais, confeccionou uma lembrança que a todos foi distribuída, e de forma como se ao futuro estivesse olhando, escreveu no brinde “1º Encontro de Safaristas”.  Coincidência ou premonição?

Sem perceber tinha sido dada a partida. Um dos participantes deste 1º Encontro, empolgado como é até hoje tomou a si, juntamente com a esposa, a tarefa de organizar o segundo. Foi escolhido o balneário de Morro dos Conventos já em Santa Catarina.  Na semana definida choveu torrencialmente em toda a região (vejam como a chuva nos acompanha há tempo!) e transformou o local em “piscina”. Houve desistências, gripes extemporâneas e o grupo diminuiu. Mesmo assim juntamos quatro Safaris e também, por uma destas múltiplas habilidades da esposa do organizador registrou-se o 2º Encontro de Safaristas com bela lembrança. Neste encontro já surgiram alguns brindes, sorteios e almoço comunitário. Muito singelamente a coisa tomava forma.

Para o que chamamos de 3º Encontro houve uma brusca mudança, pois afinal é bom lembrar que não havia se enraizado o conceito e formato atual dos encontros. O grupo criava, moldava e rodava na conformidade de seus próprios desejos. Cinco Safaristas toparam a aventura de se encontrar em Punta Del Este no Uruguai e assim o “evento” tomou cores internacionais.

Esta improvisação dos primeiros encontros rendeu um sofisma* anos após, quando tentaram criar um desvio histórico renegando estes primeiros tempos e a ordem cronológica dos encontros já acontecidos. 

E assim chegamos a 2005. Foi escolhida a bela Garopaba/SC para sediar o chamado 4º Encontro que neste evento agregou a palavra nacional. O 4º Encontro Nacional de Safaristas recebeu então as cores e brilhos que leva até hoje, digamos “se qualificou”. Com uma excelente equipe de organização o encontro saiu da infância e partiu para a adolescência. Também este encontro marcou a presença do primeiro veículo não Safari no grupo.

Como fato pitoresco da época lembramos que chamávamos o encontro de “Encontro Mundial de Safaristas”. Como era inescapável a pergunta; “Como mundial?” respondíamos; “Sim mundial. Os outros safaristas do mundo não vieram porque não quiseram”. Era sempre motivo de muito riso!

Também por esta época, como o grupo tinha crescido e talvez por isto, brotou em alguns a ideia de transformar o grupo em conjunto social organizado; com estatutos, diretorias, eleição, mensalidades e toda aquela parafernália que infelizmente vira enorme “cauda burocrática”. Felizmente foi vencido este projeto com o argumento sólido de alguns dos veteranos que se postaram contra.

“Para que complicar o que é tão simples e puro. Passamos a vida presos a empresas e empregos recheados de burocracia, leis e determinações. Agora para fazer turismo, viajar e rever amigos vamos repetir a ladainha?” Prevaleceu a premissa. Além do mais, o turismo em veículos de recreação já possuía entidades legalmente constituídas no Brasil e que reunia centenas de veículos. Se alguém fizesse extrema questão de entrar como associado em alguma destas entidades estava livre para assim proceder. Não mudaria sua situação de safarista.

E assim, passo a passo consolidava-se o anual encontro e o grupo de safaristas. O 5º Encontro foi novamente no Rio Grande do Sul, em Encantado; o 6º já estava em Santa Catarina, Içara; o 7º nos levou ao Paraná, Campo Largo/Curitiba, o 8º foi sediado em Joinville. Neste 8º Encontro foi possível reunir, em até hoje inédita foto (veja ao final do texto), todos aqueles que participaram do 1º Encontro em Osório.

Com o passar do tempo o grande grupo fragmentou-se em associações estaduais sem, entretanto, estremecer a relação com o universo de safaristas. A formação de associações ou grupos com base local trouxe mais agilidade para os safaristas mais próximos de si a se organizarem em eventos menores e apenas de âmbito local. Nasceu à expressão “VQQ – Vai quem quer”.

Também como fato natural aconteceu a compra e venda de Safaris que trocavam de mão. Alguns não se adaptavam ao “gingado” delas na estrada, para outros faltava espaço interno e alguns tiveram problemas mecânicos. Mas, grande parte dos que se desfizeram da Karmann Mobil Safari não conseguiam mais se afastar do grupo ao qual pertenceram e assim, com seus novos veículos continuaram trazendo a alegria de safaristas para os remanescentes proprietários do “carro conceito”.

O grupo miscigenava seus veículos, mas não o espírito original. Também como natural fato alguns safaristas desapareceram do grupo após a venda de seus veículos. Talvez não estivessem prontos, ou preparados, para esta diferenciada experiência.

E assim, com gente chegando, saindo, trocando de RV chegamos a Florianópolis para o 9º Encontro Nacional de Safaristas, esplendorosamente situados próximo ao mar. Quando “bateu” 2011 no calendário lá se iam dez anos de estrada e o grupo tinha crescido. Já há alguns anos apareciam Safaristas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro que se irmanavam aos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nos três estados do sul firmavam-se a “ACASA-Associação Catarinense de Safaristas” a “AGS-Associação Gaúcha de Safaristas” e o “GPPS-Grupo Paranaense de Proprietários de Safari”, todas originadas na utilização da Safari. Possuem suas próprias logomarcas que se espalham pelos carros em uso e continuam mantendo o princípio há muito consolidado de simplicidade organizacional sem burocracia. A inicial chama tinha aumentado seu fulgor e até blog’s específicos serviam de elo de comunicação entre os safaristas, associações, grupos e também aqueles denominados ex-safaristas. A facilidade da comunicação via WEB impulsionou, como enorme teia virtual, a integração do grupo. 

Chegava a hora de comemorar o 10º ano do grande grupo e a festa voltou ao Rio Grande do Sul. Tramandaí foi a cidade escolhida e tivemos belo evento que rendeu até bolo de aniversário e muitas lágrimas ao encerramento, tudo regado com muita chuva.

No ano seguinte fomos ao outro extremo da habitual concentração de Safaris. São Paulo, na Ilha Comprida, sediou o 11º Encontro dando oportunidade de visitar os sítios históricos de Cananéia e Iguape. O 12º retornando a Santa Catarina aconteceu em São Bonifácio e o 13º no alto da espetacular serra catarinense em Urubici. 14º teve sede em Matinhos, Paraná, 15º em Indaial/SC, 16º em São Joaquim/SC e o 17º será em Nova Petrópolis/RS. 

Talvez até surja a questão; “porque estes encontros são organizados tão ao sul do Brasil”.

Bem, o principal motivo é que a maior concentração destes especiais veículos da Karmann tenha acontecido nos estados do sul e sudeste do Brasil. Também a formação de grupos e associações propiciou a agregação destes proprietários em torno de interesses comuns. 

Os remanescentes safaristas de 2001 mal podiam imaginar que aquela despretensiosa iniciativa tomada às primeiras luzes do século 21 fosse perdurar por tanto tempo e tomasse o vulto que tomou. É claro, não foram tudo rosas e as coisas não aconteceram sozinhas. Havia, ao correr destes anos pessoas envolvidas de corpo e alma para que esta trilha fosse percorrida com sucesso. Pessoas que se doaram à causa de forma absoluta e a estes o grupo curva-se em homenagem. Poderíamos citar muitos nomes, mas sempre com o risco de alguém ser olvidado e assim macularmos esta formidável experiência de vida do Grupo de Safaristas.

Com certeza, no fundo do coração de cada safarista, ou ex, reside um lugarzinho para colocar estes abnegados que prosseguiram com o sonho do modesto e frágil início.

©RLF

 *SOFISMA:É uma mentira, propositalmente maquiada por argumentos verdadeiros, para que possa parecer real.